terça-feira, 18 de agosto de 2015

No pain no gain?

Na primeira metade de março de 2015 comecei a sentir algumas dores no braço direito. Elas começaram no bíceps ao levantar minha mochila numa tarde das minhas jornadas de trem rumo à UFABC. Naquela mesma tarde eu fiz minha atividade física predileta, natação, visto que já havia sentido algo parecido antes e o tal do Dorflex resolveu a situação em pouquíssimos dias. O grande problema é que no dia seguinte a dor já se instalava no braço inteiro. Movimentos laterais ou para trás eram impossíveis e era como se uma faca estivesse furando meu braço por dentro.

Ao procurar um ortopedista no Pronto-Socorro, o atendimento foi padrão: ninguém examina nada e taca-lhe anti-inflamatório para combater a tendinite. Após o medicamento e duas semanas de molho, a dor ficava pior, causando dormência e formigamento da minha mão direita.

Novamente no Pronto-Socorro, o ortopedista, que continuou sem me examinar, surgiu com uma nova teoria: Síndrome do Túnel do Carpo. Esse problema, para quem não conhece, é uma lesão por esforço repetitivo que é causada pela compressão do nervo médio do canal do carpo (basicamente é o nervo que se encontra bem no centro do nosso braço). O grande problema é que o tratamento é via injeção de corticóides, que não estavam causando resultado algum, ou cirúrgico. A cirurgia consiste em romper os ligamentos da mão para descomprimir o nervo. Tempo de recuperação? Mínimo de 6 meses.

Conseguem imaginar o meu sofrimento até ver que o resultado da eletroneuromiografia deu negativo para Síndrome do Carpo? De forma alguma eu poderia esperar mais pelo menos 6 meses para voltar a escrever!

Ah, acho que faltou estabelecer esse paralelo. Enquanto isso, eu cursava a disciplina de qualificação do Doutorado chamada Análise Funcional e não conseguia escrever...

Estava desde março sem conseguir escrever e algumas coisas foram "feitas" até o mês de junho. Um Raio-X do meu braço deu limpo para fraturas e hérnias e um ultrassom do pulso e do ombro revelou uma tendinite do tendão supra-espinhal.

Mais anti-inflamatórios e nem mais forte deles (Diprospan) aliviava a minha dor. Eu já não conseguia comer com a mão direita, pentear o cabelo, tomar banho, trocar de roupa.

Julho chegou e eu finalmente tive consulta com a minha querida clínico-geral. E foi aonde começamos a perceber a precariedade do sistema de saúde do nosso Brasil... Após milhares de testes, ela me pediu uma Ressonância Magnética do ombro direito. Para se ter uma ideia, uma RM leva 1 ano para ser marcada pelo SUS... e então eu decidi pagar por ela (retirando minha guia no posto). Não sei exatamente por que motivo, os responsáveis não me deixaram pagar a agendaram a RM numa clínica particular em menos de uma semana. Resultado: lesão de Hill-Sachs no ombro direito e tendinite no supra-espinhal. Como é que eu tinha uma fratura no ombro sem trauma? No mínimo esquisito.

Dizem as más línguas que esse tipo de lesão pode ocorrer com gente que 1. sofreu trauma forte e 2. idosos com algum problema nos ossos. Ok, eu sabia que já estava meio idosa, mas não era para tanto...

Já na UFABC, eu tinha a disciplina atrasada e uma outra coisa quase sem importância: um aceite da Universidade de Kent para passar nove meses de 2016 pesquisando lá. Para isso, eu precisava fazer o IELTS e tirar uma nota mínima. Mas assim... eu não conseguia escrever!

Levando de volta à minha médica, a esquisitice do caso trouxe à tona meu histórico familiar. Minha mãe teve um fibro-sarcoma raro enraizado no osso do lado direito do rosto e por isso ela me pediu uma cintilografia óssea, que, tirando a bizarrice de tomar contraste no pé, foi bem tranquila e deu negativa para qualquer tipo de câncer. No final das contas, eu tinha uma tendinite que permanecia em mim por quase 4 meses e uma fratura no ombro que só Deus sabia de onde tinha vindo...

Descrente dos ortopedistas de SP e vendo que a única boa alma era minha clínico-geral, que por sua vez também não podia fazer muito mais, decidi procurar uma segunda opinião de um ortopedista especialista em ombro. Ao mostrar minha RM, ele afirmou: você pode ter qualquer coisa, menos Hill-Sachs. E então me pediu para fazer outra RM num lugar específico, RM esta que acabou com as minhas economias. Eu não tinha fratura no ombro, mas tinha todos os tendões do manguito rotador inflamados. Além disso, a RM revelou o que a minha musculatura é ridícula.

O que acontece é que meus membros superiores e inferiores são alongados e eu tenho dificuldade em ganhar massa muscular ou fortalecer tendões: meu corpo é ectomorfo. Com isso, para que não acontecesse novamente eu precisava urgentemente fortalecer até a minha alma (ha!).

A fisioterapia veio, seguida de muita dor. Retomei minhas atividades, fiz o IELTS e ontem comecei a academia. Dia 7 de agosto fiz a primeira prova (atrasada) de Análise Funcional e sexta-feira felizmente termino com a segunda prova.

Não foi e não está sendo fácil, mas hoje eu vejo um final para os últimos 6 meses. Consegui a nota que precisava no IELTS, acho que vou atingir pelo menos um B em Análise Funcional (me livrando do Exame de Qualificação) e vou seguir com a minha vida normalmente.

Hoje (quase) não sinto mais dor. De vez em quando incomoda, principalmente quando eu passo grandes períodos escrevendo. Mas felizmente parece que toda a aura ruim foi embora... Hoje eu respiro aliviada com um braço (quase) saudável que consegue até jogar tênis.

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